12/01/2013 -- 00h00
Paraná é o segundo em mortes de travestis
No estado foram registrados 47 assassinatos de 2008 a 2012,
segundo o Grupo Gay da Bahia; ativista defende políticas públicas mais
abrangentes
Os dados preliminares já tinham sido antecipados em reportagem publicada pela FOLHA em outubro do ano passado. As regiões metropolitanas de Curitiba, com quatro homicídios, e de Londrina, com três, foram as que apresentaram mais registros no Paraná, segundo a organização.
Ao todo, o GGB documentou 338 assassinatos de gays, lésbicas, travestis e transexuais no País, o que significa um a cada 26 horas. Em relação a 2011, quando foram notificadas 266 mortes, houve aumento de 27%.
O titular da Delegacia de Homicídios da capital, Rubens Recalcatti, informou que não irá comentar a pesquisa porque "desconhece a origem", mas garantiu que está preocupado com a situação. "Tanto que estamos sempre procurando uma rápida solução dos casos, para saber a causa e a motivação de cada assassinato. Nesse da Nicole (Borges Generoso, de 20 anos, morta no último domingo, dia 6)), no mesmo dia já estávamos com os autores presos", disse.
Para o presidente da ONG Dom da Terra, Márcio Marins, os números são alarmantes. "Creio que o que explica, nunca justifica, são os aspectos culturais do Paraná, principalmente de Curitiba, que é uma cidade muito conservadora e que ainda não se habituou a conviver com a diferença", afirmou.
De acordo com Marins, que é também vice-presidente do Conselho Permanente de Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Justiça do Paraná (Seju), o movimento social como um todo tem trabalhado de forma incansável para diminuir esses índices. "Não adianta tratar os homicídios que já aconteceram. Precisamos de políticas públicas mais abrangentes, que previnam a violência", defendeu.
Plano
Resultado da articulação entre governo e movimentos sociais, foi elaborado em 2012 o Plano Estadual de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT). O documento traça diretrizes para a implementação de políticas públicas destinadas a essa parcela da população e, segundo Marins, deve ser impresso e disponibilizado à sociedade em breve.
Na capital, o Transgrupo Marcela Prado, organização que há oito anos trabalha na promoção dos direitos de travestis e transexuais, programou para 29 de janeiro – "Dia Nacional da Visibilidade Trans" - uma manifestação com o objetivo de lembrar os últimos casos de violência. A presidente da ONG, Carla Amaral, contou que o ato público será a partir do meio-dia, na Boca Maldita, centro da cidade.
"Enquanto a sociedade não mudar esse pensamento de que travestis e transexuais não têm direito a uma formação, a ingressar no mercado de trabalho, ao invés de ficarem vulneráveis nas ruas, infelizmente muitas Nicoles, Mônicas, Jaquelines, Eduardas, Mirellas e Biancas continuarão morrendo", desabafou.
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