17/01/2013 -- 00h00
Paraná fecha ano com deficit histórico na balança comercial
Balanço mostra que importações superam exportações em US$ 1,677 bilhão e Fiep critica falta de condições para indústria

Pelo lado das importações, o principal grupo foi material de transportes, com acréscimo de 4,78% sobre 2011
Londrina - A balança
comercial do Paraná atingiu em 2012 o maior deficit dos últimos 20 anos,
ao importar US$ 1,677 bilhão a mais do que o montante exportado. Foi a
terceira marca negativa da história, em um movimento de queda que
começou em 2006, teve alta em 2009, mas ficou negativo em US$ 1,374
bilhão já em 2011 – a outra foi em 2000, com US$ 293 milhões. Segundo a
Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o motivo é que o
Estado tem aumentado a participação como exportador de matéria-prima e
reduzido as exportações de bens de consumo desde 2006, por falta de
condições para a industrialização se desenvolver no País.
O Estado exportou US$ 17,709 bilhões em 2012, valor 1,81% maior do que em 2011. As importações bateram em US$ 19,387 bilhões, uma ampliação de 3,29% sobre o ano imediatamente anterior. Nesse cenário, o grau de elaboração dos produtos exportados pelo Paraná tem caído. Em 2006, os manufaturados representavam 57,41% do total, mas houve queda gradativa até chegar em 38,10% no ano passado. Por outro lado, os básicos passaram de 29,30% em 2006 para 47,19% em 2012.
É preciso lembrar que nem tudo que entra pelos portos fica no Estado e que, se descontado o deficit de US$ 2,284 bilhões relacionado à refinaria de petróleo em Araucária, o saldo ficaria positivo. Porém, há incômodo devido ao alto custo industrial brasileiro diante dos competidores externos. De acordo com o relatório da Fiep, "a desvalorização do real frente a outras moedas estrangeiras, somada à logística deficiente, infraestrutura precária, alta carga tributária e outros fatores que compõe o chamado 'Custo Brasil', elevam os custos financeiros de investimento e os custos operacionais". O resultado é que a competitividade dos produtos industrializados paranaenses nos mercados interno e externo acaba por ser minada.
Economista da Fiep, Roberto Zurcher afirma que a divisão por produtos explica bem a situação do Estado. O complexo soja cresceu 7,18% sobre 2011 e se manteve na primeira colocação em valor exportado em 2012, com 33,12% do total. Carnes, com queda de 3,60% sobre 2011 e participação de 12,26%, e material de transportes, com retração de 3,03% e fatia de 11,98%, vêm na sequência. "Carne tem certo processamento e materiais de transportes são industrializados, mas os dois caíram enquanto a soja aumentou. Se exporta produtos de menor valor agregado, gera menos divisas."
Ele diz que há um grupo no Paraná que pretende agregar mais valor a produtos agrícolas, como a soja, para processar os grãos e ter uma exportação mais sofisticada. "Em relação à tributação, há leis no Brasil que favorecem a exportação de matéria-prima e não a de produtos industrializados. Isso teve uma utilidade em outro momento, mas precisa ser alterado."
Pelo lado das importações, o principal grupo foi material de transportes, com participação de 22,65% e acréscimo de 4,78% sobre 2011. Em seguida vêm produtos químicos, voltados principalmente para a agricultura, com fatia de 20,97% e aumento de 11,43% na comparação com o ano anterior. O item petróleo e derivados foi terceiro, com participação de 13,46% e crescimento de 3,67%. Segundo Zurcher, a importação de bens de consumo em geral subiu 1.220% de 2003 a 2012, o que mostra que as indústrias locais não atenderam a demanda doméstica, por falta de condições para expansão da produção.
O Estado exportou US$ 17,709 bilhões em 2012, valor 1,81% maior do que em 2011. As importações bateram em US$ 19,387 bilhões, uma ampliação de 3,29% sobre o ano imediatamente anterior. Nesse cenário, o grau de elaboração dos produtos exportados pelo Paraná tem caído. Em 2006, os manufaturados representavam 57,41% do total, mas houve queda gradativa até chegar em 38,10% no ano passado. Por outro lado, os básicos passaram de 29,30% em 2006 para 47,19% em 2012.
É preciso lembrar que nem tudo que entra pelos portos fica no Estado e que, se descontado o deficit de US$ 2,284 bilhões relacionado à refinaria de petróleo em Araucária, o saldo ficaria positivo. Porém, há incômodo devido ao alto custo industrial brasileiro diante dos competidores externos. De acordo com o relatório da Fiep, "a desvalorização do real frente a outras moedas estrangeiras, somada à logística deficiente, infraestrutura precária, alta carga tributária e outros fatores que compõe o chamado 'Custo Brasil', elevam os custos financeiros de investimento e os custos operacionais". O resultado é que a competitividade dos produtos industrializados paranaenses nos mercados interno e externo acaba por ser minada.
Economista da Fiep, Roberto Zurcher afirma que a divisão por produtos explica bem a situação do Estado. O complexo soja cresceu 7,18% sobre 2011 e se manteve na primeira colocação em valor exportado em 2012, com 33,12% do total. Carnes, com queda de 3,60% sobre 2011 e participação de 12,26%, e material de transportes, com retração de 3,03% e fatia de 11,98%, vêm na sequência. "Carne tem certo processamento e materiais de transportes são industrializados, mas os dois caíram enquanto a soja aumentou. Se exporta produtos de menor valor agregado, gera menos divisas."
Ele diz que há um grupo no Paraná que pretende agregar mais valor a produtos agrícolas, como a soja, para processar os grãos e ter uma exportação mais sofisticada. "Em relação à tributação, há leis no Brasil que favorecem a exportação de matéria-prima e não a de produtos industrializados. Isso teve uma utilidade em outro momento, mas precisa ser alterado."
Pelo lado das importações, o principal grupo foi material de transportes, com participação de 22,65% e acréscimo de 4,78% sobre 2011. Em seguida vêm produtos químicos, voltados principalmente para a agricultura, com fatia de 20,97% e aumento de 11,43% na comparação com o ano anterior. O item petróleo e derivados foi terceiro, com participação de 13,46% e crescimento de 3,67%. Segundo Zurcher, a importação de bens de consumo em geral subiu 1.220% de 2003 a 2012, o que mostra que as indústrias locais não atenderam a demanda doméstica, por falta de condições para expansão da produção.
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