terça-feira, 4 de junho de 2013

04/06/2013 

Polícia investiga duas mortes em PS

Fotos: Gina Mardones
Bebê de 25 dias foi sepultado ontem no Cemitério Municipal de Rolândia
Diretoria do Hospital São Rafael nega qualquer falha nos atendimentos
Rolândia – A Polícia Civil vai investigar duas mortes que ocorreram em um intervalo de menos de 60 horas no Pronto-Socorro do Hospital São Rafael, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), hospital filantrópico que recebe recursos públicos. 

Ontem foi sepultado no Cemitério Municipal o corpo de um bebê de 25 dias, que morreu na tarde de domingo, possivelmente em consequência de uma pneumonia. O aposentado Brandino Fernandes de Souza, de 67 anos, vítima de um infarto, foi sepultado no sábado. Nos atestados de óbito de ambos, consta morte por insuficiência cardiorrespiratória. 

As famílias dos dois pacientes acusam o hospital de negligência e omissão de socorro e prometem processar a unidade. A família do bebê já procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência ontem. "Queremos justiça. Os médicos podiam ter salvado nossa filhinha, mas demoraram tanto que ela não aguentou", acusou o pai, o tratorista Flávio Henrique dos Santos, de 23 anos. 

Pela versão das famílias, o quadro clínico dos pacientes se agravou na sala de espera do PS, sem que nenhum integrante do corpo clínico prestasse socorro, mesmo com a insistência dos familiares. 

A menina recém-nascida teria ficado 30 minutos na sala de espera, antes que os pais – em desespero - invadissem a área reservada da unidade para que ela fosse reanimada. O idoso também só conseguiu chamar a atenção do corpo clínico após outros pacientes e acompanhantes (logo após perceberem o colapso) o carregarem até a área reservada aos médicos e enfermeiros, 50 minutos depois de chegar ao PS. 

O diretor clínico do hospital, Silvio Ferreira Filho, afirmou que as mortes foram "uma tremenda coincidência", mas negou que houvesse qualquer falha no atendimento de urgência e emergência. Ele disse que nos dois casos não havia um encaminhamento típico dos casos mais graves, quando os pacientes chegam em ambulâncias. "É mais fácil responsabilizar o hospital. Mas não há como fazer milagres. Todos os procedimentos foram feitos corretamente no hospital, mas pode ter havido falhas no sistema", ponderou. 

Ferreira Filho criticou também a falta de médicos nos postos de saúde nos finais de semana, o que estaria sobrecarregando o pronto-socorro e dificultando o atendimento dos casos mais graves. 

Outro integrante do corpo clínico do São Rafael, o clínico geral Guilherme Martins, também argumentou que a falta de médicos na rede de atenção básica da prefeitura ocorre "constantemente". 

No caso do bebê, os pais reclamam também de falhas no primeiro atendimento, no posto de saúde da Vila Oliveira. No domingo, eles se deslocaram da fazenda onde moram, no Distrito de São Martinho, até a sede do município. No posto da Vila Oliveira, não havia médicos e a enfermeira responsável pelo atendimento não teria examinado o bebê, que tinha muita tosse e dificuldade em respirar. Ainda sem ser medicada, a criança foi encaminhada ao pronto-socorro. 

A mãe, a dona de casa Angélica Cristina Soares, de 20 anos (que tem outros dois filhos), acredita que a criança estava com pneumonia e que poderia ter sido salva alguns dias antes, quando procurou pela primeira vez socorro no hospital. "Ela foi liberada e o médico disse que ela não tinha nada. Sem fazer nenhum exame". 

O delegado Valdir Fernandes disse que o laudo do Instituto Médico Legal, cujo o resultado será conhecido pela polícia em três semanas, deve ser decisivo para determinar o horário da morte e se houve mesmo negligência. Ele disse que vai ouvir todos os envolvidos, inclusive a enfermeira do posto de saúde que fez o primeiro atendimento ao bebê no domingo. 

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