sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Em apenas um mês, número de mortos pela PM é maior do que em todo o ano passado

Nesta manhã, dois foram mortos pela polícia durante abordagem na zona norte. Já são seis mortos em outubro, contra cinco em 2011
19/10/2012
Mateus Tavares da Silva, de 16 anos, e Rafael Alves dos Passos, de 21 anos foram mortos por policiais militares durante uma abordagem, na manhã desta sexta-feira (19), no Jardim Novo Amparo, zona norte de Londrina. Com esses dois novos casos, já são seis o número de mortos pela Polícia Militar (PM) no Município somente em outubro. A quantidade é maior do que a registrada em todo o ano de 2011, quando cinco morreram em confrontos com a PM. Os dados são da própria corporação.
Sobre os casos da manhã desta sexta-feira, a PM informou que uma viatura da Rotam se dirigiu ao Jardim Novo Amparo para averiguar uma denúncia de ponto de tráfico de drogas. Policiais faziam uma ronda pelo local quando um dos rapazes fugiu para dentro de uma casa.
Quando os policiais se aproximaram do local o rapaz reagiu, e houve troca de tiros. O outro rapaz estava dentro da casa, e também entrou em confronto com os policiais. Os dois jovens, que já tinham passagem pela polícia, morreram baleados.
A casa seria um ponto conhecido de tráfico de drogas na região Norte de Londrina. De acordo com a PM, várias apreensões de drogas já haviam sido realizadas no local. Os policiais apreenderam porções de crack e dois revólveres de calibres 22 e 38.
A estatística de homicídios, na qual não estão inclusas as mortes em confronto com a polícia latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, também aumentou entre 2011 e 2012. Até a manhã desta sexta-feira (19), o Município registrou 97 homicídios contra 93 em todo o ano passado.
Número de mortes em confrontos não significa que polícia está mais violenta, diz porta-voz da PM
Em entrevista para o JL na quinta-feira (19), o capitão Nelson Villa, porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), disse ser difícil mensurar o porquê do aumento no número das mortes por confronto com policiais em serviço. Para ele, isso não serve de indicativo de que a PM está mais violenta.
“Talvez seja o indicativo de que os policiais tenham se deparado mais com situações de flagrante e aí o risco de ter esses incidentes com morte”, aponta.
Ele cita o caso das três mortes registradas em confronto depois de um roubo de uma caminhonete Hilux, no início deste mês. “Era uma situação que propiciou o confronto. A vítima teve a caminhonete tomada de assalto, conseguiu ajuda de um amigo que foi acompanhando a caminhonete de longe e passando as informações em tempo real para a central. Ou seja, tivemos as condições de duas viaturas interceptarem os ladrões. Eles poderiam ter baixado as armas e se entregado, mas preferiram reagir. O policial tem de se defender”, afirma.
De acordo com o capitão da PM, basta ver o número de ocorrências que envolvem armas e que não terminam em confronto. "Diariamente, os policiais prendem pessoas armadas e a maioria não acaba em tiroteio. Depende mais do próprio indivíduo do que da própria PM”, afirma.

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