quarta-feira, 8 de maio de 2013


08/05/2013 

Ameaça de fechamento de usina deixa cidade em alerta

Segundo prefeito de Figueira, estrutura precisa ser modernizada até 2015; Copel aprova mudança, mas depende de autorização para fazer ajustes
Termelétrica de Figueira, fundada há 50
Termelétrica de Figueira, fundada há 50 anos, nunca passou por melhorias que a deixasse mais eficiente
Leonir da Silva, funcionário da mineradora, prevê uma evasão de famílias para outros centros urbanos em busca de trabalho
‘’Se a usina fechar, a mineração deixará de ser feita, e aí o município quebra e até a prefeitura deverá ser fechada’’, alerta o presidente do sindicato dos trabalhadores, Jacob Kmita
Figueira - A população de Figueira está preocupada com a hipótese de fechamento da usina termelétrica local, que é a principal fonte de geração de empregos e receitas no município. A preocupação foi apresentada pelo prefeito da cidade, Valdir Garcia, durante a última reunião da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), realizada em Ibaiti. Segundo ele, há uma determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que todas as usinas termelétricas do País sejam modernizadas até 2015 e as usinas que não se adequarem aos novos tempos serão fechadas. 

A usina de Figueira é a única do gênero no Estado do Paraná. Ela foi fundada há 50 anos e nunca passou por um processo de modernização para que se torne mais eficiente. 

O principal motivo da preocupação não é exatamente que a usina se modernize ou não. O detalhe é que a matéria-prima que mantém a usina em funcionamento é o carvão mineral, extraído de minas que se localizam nas proximidades do perímetro urbano. É esta mineradora que gera 350 empregos diretos e movimenta toda a economia da cidade. Se a usina for desativada, consequentemente, o setor de mineração sofrerá as consequências uma vez que quase 100% da produção é direcionada para a usina. 

O prefeito Valdir Garcia pediu o apoio de todos os prefeitos do Norte Pioneiro para que se mobilizem em favor da usina junto ao governo do Estado. ''Todos os prefeitos assinaram a moção de apoio porque, caso a usina realmente seja fechada, haverá um impacto negativo para toda a região e não somente para Figueira'', justificou o prefeito. Para ele, a modernização depende exclusivamente do governo do estadual, uma vez que a usina pertence à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). 

O presidente da Amunorpi, Guilherme Saliba, que é prefeito de Tomazina, está tentando agendar uma reunião no Palácio Iguaçu para levar o assunto ao conhecimento do governador Beto Richa (PSDB). A associação espera que o encontro seja agendado para os próximos dias. 

Trabalhadores
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração do Carvão do Estado do Paraná, Jacob Kmita, não admite a possibilidade de fechamento da termelétrica. Segundo ele, esta é a hora que a cidade deve se mobilizar para que as mudanças necessárias sejam feitas. ''Nós temos que lutar por aquilo que é nosso e nos mobilizar para conversar com o governador porque o único caminho hoje é o governo do Estado'', afirma. 

Kmita espera que a modernização seja feita dentro do prazo determinado pela Aneel porque, caso isto não aconteça, o prejuízo será incalculável. ''A cidade ainda não tem uma noção real do que isto representa. Se a usina fechar, a mineração deixará de ser feita, e aí o município quebra e até a prefeitura deverá ser fechada'', prevê. 

O motorista Leonir Lourenço da Silva trabalha na empresa de mineração há 25 anos. Ele diz que seu pai foi funcionário da empresa e que seu filho, de 21 anos, também começou a trabalhar no mesmo local. ''A possibilidade de fechamento da usina é preocupante porque tudo aqui gira em torno do carvão'', afirma. Para ele, se a empresa for fechada, haverá uma evasão de famílias para outros centros urbanos em busca de trabalho. 

O empresário Jeremias Subtil, dono de um tradicional supermercado na cidade, diz que os comerciantes ficaram preocupados depois que a informação foi divulgada na cidade. Ele reconhece que a maior parte da economia do município gira em torno do carvão e acredita que o impasse poderá ser resolvido com ''vontade política''. 

A empresa que explora o carvão que abastece a usina não quis se manifestar sobre o assunto. 

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