quarta-feira, 4 de setembro de 2013

04/09/2013

Polícia fecha banco de ossos clandestino

Equipe do Nucrisa prendeu duas pessoas em flagrante; centro de coleta e distribuição dos materiais funcionava na zona sul
Londrina – Policiais do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa) cumpriram ontem quatro mandados de busca e apreensão em Londrina, onde prenderam em flagrante duas pessoas por manter um banco de ossos clandestino na cidade. Os detidos têm 37 e 42 anos e são irmãos. 

Segundo informações do Nucrisa, o centro de coleta e distribuição de ossos funcionava no Jardim Cláudia (zona sul), onde os irmãos foram presos. No local, foram encontradas quatro cabeças de fêmur sem origem comprovada. Também foramlocalizados materiais na casa de um dos suspeitos. Ao todo, foram recolhidos 16 cabeças de fêmur in natura, 89 frascos com pedaços de osso em bloco, 46 frascos com pedaços particulados (osso moído em liquidificador com soro fisiológico), outras sete embalagens também com ossos particulados e uma embalagem com fragmentos de ossos do quadril. "A quantidade de vítimas é incalculável", afirmou a delegada titular do Nucrisa, Samia Coser. 

Ela disse que não se sabe como o material foi retirado do doador, nem como foi feito o transporte ou como é o armazenamento. Ou seja, não foram cumpridas as normas técnicas que garantem a procedência do material. No Brasil existem atualmente seis bancos de ossos legalizados. Segundo a delegada, os pequenos frascos com ossos eram vendidos por R$ 180 a R$ 250. 

"Na casa de um deles, por exemplo, encontramos cabeças de fêmur armazenadas num freezer na cozinha dele. Para o armazenamento correto o local deve ter no mínimo dois equipamentos para resfriamento, um com temperaturas que atinjam até menos 20 graus Celsius e outro que vá até menos 80 graus", contou a delegada. 

Samia explicou que os irmãos responderão por tráfico de órgãos e tecidos, artigo 15 da Lei de Transplantes. "Eles vendiam direto para os dentistas e também para um intermediário. O material era levado para Chapecó-SC, Belém-PA, Belo Horizonte-MG e para os estados de Goiás e Mato Grosso", contou a delegada, destacando que os irmãos já chegaram ser flagrados enviando embalagens suspeitas pelos Correios. 

Para o gerente da Vigilância Sanitária de Londrina, Rogério Lampe, o que os dois faziam vai além de uma infração sanitária, mas é um crime contra a saúde pública. "Esse material geralmente é utilizado para enxertos odontológicos. É um procedimento normal, podendo ser retirado parte do próprio fêmur da pessoa ou de um doador legal", observou. "Quando os ossos vêm de procedência duvidosa, como é este caso, as pessoas correm o risco de contrair doenças como hepatite e aids", acrescentou.

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