11/01/2013 -- 00h00
Despesas pessoais e alimentação pressionam inflação em 2012
IPCA fechou o ano em 5,84% e ficou próximo do teto estabelecido pelo governo

Maria do Carmo de Mattos, dona de um salão de beleza, comenta que percebeu uma alta na procura pelos seus serviços em 2012
Dos grupos pesquisados, o que sofreu maior variação anual foi o de despesas pessoais, com alta de 10,27%, quase 2% mais elevado do que ano anterior. Só pelo serviço dos empregados domésticos – que está incluso neste grupo – as famílias passaram a pagar 12,71% mais caro. De acordo com a coordenadora da pesquisa do IPCA, Eulina Nunes, o custo dos empregados domésticos vem aumentando nos últimos anos "em função da escassez destes profissionais no mercado, associado ao aumento do salário mínimo".
A empresária Carolina Jannani, que possui duas filhas pequenas, tem duas funcionárias em casa: uma babá e uma empregada doméstica. Ela salienta que está cada vez mais difícil contratar funcionários que cumpram as tarefas de forma plena. "É complicado encontrar pessoas de confiança, que não faltem no serviço e ainda cumpram as exigências estabelecidas. Antes, uma empregada doméstica fazia tudo, mas agora os serviços acabaram setorizados e mais caros", avalia ela.
As duas funcionárias da empresária estão trabalhando com ela há quase três anos, e, como está satisfeita com os serviços de ambas, acaba pagando quase o dobro do salário oferecido no mercado. "Não é barato, mas no meu caso é uma necessidade. Com elas satisfeitas, consigo que fiquem um pouco mais de tempo com minhas filhas quando preciso, além de nunca faltarem e ainda trabalharem no sábado."
Já o grupo alimentação e bebidas, que detém a maior parcela do orçamento das famílias (23,93%), disparou 9,86% em 2012, mais do que os 7,18% do ano anterior. As maiores variações acabaram ficando com a farinha de mandioca (91,51%), feijão (53,80%), alho (50,65%), batata inglesa (49,98%) e feijão-preto (44,20%). Já os produtos que menos subiram foram o queijo (6,28%), frango em pedaços (5,38%) e o leite (4,70%). "A redução da área plantada de algumas cultivares e também o impacto da seca fizeram que houvesse a diminuição da oferta de alguns produtos, que acabaram com os preços disparados", explicou a pesquisadora do IBGE, Eulina Nunes.
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